Praia Manuel Lourenço
A Praia do Manuel Lourenço é uma praia rochosa localizada no concelho de Albufeira. Deve o seu nome a um pescador que aí vivia.
Actualmente esta praia dispõe de todas as infra-estruturas, estas aliadas à boa qualidade da água e restantes parâmetros, têm-lhe conferido bandeira azul desde 1996.
Para além de ser uma boa opção para a actividade balnear, esta praia oferece excelentes condições para a realização de actividades pedagógicas com os diferentes níveis de ensino. Nas Actividades (Ver: Manuel Lourenço) do Explora Albufeira podem ser encontradas Guias de Actividades que servem de instrumentos de exploração desta praia.
A PRAIA
A Geologia da Praia
A Praia do Manuel Lourenço é uma praia rochosa, todas as rochas que a constituem são rochas sedimentares. Apesar de pertencerem ao grupo das rochas sedimentares apresentam algumas diferenças, umas contêm fósseis, em algumas é possível identificar pistas de antigos organismos. Com um olho atento aos pormenores estamos perante um livro aberto pronto para nos contar uma história.

Figura 1 – Estrutura rochosa da Praia Manuel Lourenço
1 – Carso preenchido pelas areias de Faro-Quarteira;
2 – Calcoarenito grosseiro
3 – Arenito amarelado
4 – Biocalcoarenito
5 – Calcário fossilífero
Distribuição dos Seres Vivos
Substrato Arenoso
Na parte arenosa da Praia verifica-se a colonização da superfície e em profundidade; os animais enterram-se no sedimento o que faz diminuir a competição e facilita a fuga aos predadores (ex: sifões e bivalves).
Substrato Rochoso
A acção contínua do mar sobre a rocha tem vindo a alterá-la com o passar do tempo. Actualmente existe uma zona mais ou menos plana que fica a descoberto com a maré baixa – plataforma de abrasão, nesta encontram-se inúmeras cavidades que servem de habitat a diferentes organismos. A tolerância às diferenças de salinidade, temperatura, concentração de oxigénio e outros factores abióticos condicionam a distribuição dos organismos.
Nas poças pequenas de revestimento escuro existe maior absorção da radiação solar e a temperatura pode atingir 30ºC. Fora de água (fora das poças) a temperatura corresponde à temperatura do ar o que implica que existam variações com maior amplitude.
Quando a maré sobe a temperatura da água do mar é diferente da temperatura da água das poças e das áreas fora de água ocorrendo um choque térmico.
Quanto à salinidade, no Verão as temperaturas são elevadas, dá-se a evaporação de água, o que leva a uma maior concentração de sais, o que implica que os seres vivos suportem grandes variações de salinidade (seres vivos euri-halinos).
Para além da variação da temperatura e salinidade, o oxigénio é outro parâmetro que sofre variações. Este é produzido a partir da actividade fotossintética das algas e fitoplâncton. Durante a noite e em dias muito encobertos dá-se uma descida dos níveis de oxigénio, por vezes abaixo do ponto de saturação. Durante um dia de sol descoberto o teor de oxigénio pode ultrapassar 2 a 3 vezes o ponto de saturação.
Nas praias rochosas existe uma zonação cujas causas podem ser: marés; relações entre organismos vivos (competição e predação principalmente); o que leva a que se formem “Cinturas” de organismos paralelas ao nível do mar, a determinadas alturas em relação à maré.
Desta forma, os limites de distribuição são determinados pela tolerância dos organismos aos extremos ambientais – superiormente; e pelos efeitos da competição inter e intra-específica-inferiormente. Portanto a zonação é definida pela presença/ ausência e abundância de determinadas espécies e/ou agrupamentos de espécies e não pela altura em relação à maré. Assim, podemos encontrar nesta praia uma zonação de seres vivos da seguinte forma:

Figura 2 – Esquema adaptado de zonação numa praia rochosa (segundo Lewis, 1964)
Zona intertidal superior ou franja supralitoral, localiza-se entre o domínio terrestre e o nível máximo da maré alta – recebe salpicos das ondas e só raramente fica coberta de água, é o habitat dos organismos marinhos melhor adaptados à exposição ao ar prolongada, teor elevado de sal (salpicos das ondas/exposição às radiações solares) temperaturas extremas, ventos dessecativos, falta de água, são característicos desta zona os líquenes com aspecto de alcatrão - Verrucaria maura, e os gastrópodes herbívoros - Littorina neritoides. As condições extremas que esta zona oferece torna-a a menos biodiversificada.
Zona intertidal médio ou eulitoral, localiza-se entre o nível máximo da maré alta equinocial e o nível médio da maré baixa das águas vivas (a verdadeira zona entre marés) forte competição pelo espaço.
- Eulitoral superior
“cintura” de cracas (género Chthamalus) e lapas (género Patella) algas verdes do género Enteromorpha e castanhas do género Fucus.
- Eulitoral médio
“cintura” de mexilhões (Mytilus galloprovincialis) domínio de Lithophylum incrustans (alga vermelha) nas poças.
- Eulitoral inferior
recifes de barreira (Sabellaria alveolata) algas vermelhas Chondrus crispus e Mastocarpus stellatus.
Zona intertidal inferior ou franja sublitoral – apenas é descoberta durante as marés baixas das marés vivas e caracteriza-se pela presença das grandes laminárias (algas castanhas).
Zona sublitoral estende-se até ao limite da plataforma continental (profundidade de 200 a 300 m). Oferece condições muito mais estáveis onde não se verifica a influência das marés, permitindo que os organismos que aqui vivem não estejam sujeitos a dessecação, sobreaquecimento ou falta de oxigénio.
A informação apresentada foi compilada pela Professora Lúcia Dias. |